Arquivo do mês: abril 2017

Myanmar – Parte 2: Bagan

De Mandalay para Bagan fomos de micro-ônibus. Melhor custo benefício, visto que você pode ir para lá de avião por 120U$ (descartado). Outra opção é ir de caminhãozinho por 2U$ (suspeito), mas preferimos reservar um micro-ônibus com assento marcado por 10U$ (achamos razoável).

No caminho, que levou quase 5 horas, apreciamos paisagens deslumbrantes da natureza e tambem a miséria do país. O banheiro da parada é de chorar. Sugiro levar lenços umedecidos e algo para comer no caminho.

O bus nos deixou no hotel Sky View Hotel, muito agradável com terraço para apreciar o nascer e por do sol. Lá mesmo contratamos os táxis para nos levar aos templos. Levavam e passavam o dia conosco. O preço do hotel para duas pessoas por duas noites foi US$65,00.


Fiquei apaixonada por Bagan, uma cidade que tem cerca de 2-3 mil templos.

Obviamente você já deve ter percebido que é impossível ver todos os templos. Mas há sim, entre os turistas, alguns mais famosos e eles são o Ananda, o  Shwesandaw e o Schwezigon.

Ah, você precisa pagar US$25,00 para entrar em Bagan. Estudantes pagam US$15,00.

Guarde o ticket pois servirá para visitar quase tudo na cidade. Você terá que mostrá-lo na entrada dos templos.

A pimenta já começa a aparecer na comida com mais intensidade, pra meu desespero, pois se peço sem pimenta e cuspo fogo, nem imagino o que é “bem apimentado”. A comida é barata. Não arriscamos comer nas barraquinhas de rua pois a higiene é precária (por enquanto… até chegar em Yangon).

Em Bagan, uma atividade que os turistas adoram é colar folhas de ouro em estátuas de Buda. Essas folhas são coladas não apenas nos Budas, mas também em telhados e colunas das pagodas ou usadas como decoração em móveis de laca e até mesmo na “maquiagem” das mulheres, junto com a Tanaka.

 

Visitamos um templo há cerca de 50km até um tal Monte Popa. Lugar muuuito sagrado e de peregrinação  para os budistas visto que tinha muita gente lá e a maioria eram locais. Dizem que lá moram 37 espíritos de sabedoria.

Pra chegar no templo foram 777 degraus. De quem foi a ideia de fazer um templo nas nuvens?

No topo do Monte Popa, a primeira imagem que a gente tem deste lugar sagrado é uma estupa com imagens de Buda. Buda divide o espaço de honra com figuras de outras religiões. Embora quase todo o país seja budista, qualquer religião é respeitada.

 

 

Buda ensinou que “a tolerância é a mais difícil das disciplinas”. E o povo de Myanmar acredita e tenta viver assim.

 

 

Macacos no templo: essas criaturas não são de Deus! Eles se posicionam na sua frente “intimando” por comida.

 

Pisque e eles estarão abrindo sua bolsa, puxando sua saia, e nem pense em espantá-los. Os locais vão gritar com você e eles não tem medo. Avançam. E brigam feito loucos. Roubam a comida uns dos outros. Me senti ameaçada e assediada. Fiquei com a impressão que os tais 37 espíritos habitam neles.

Em Bagan tem passeio de balão que sobrevoa os templos. É caro. Pra você ter idéia, voei de balão na Capadócia e me custou aproximadamente US$120,00. Em Bagan custava quase US$300,00. Não tive coragem de pagar. Mas se o orçamento não estiver apertado, voe!

Bagan é imperdível! 

  

 

Myanmar – Parte 1: Mandalay

Myanmar é um lugar distante geograficamente, culturalmente e enigmático, de beleza e povo encantador de tanta simplicidade.  A começar pela forte influência do budismo, religião da grande maioria da população, Myanmar concentra uma enorme quantidade de templos e monastérios budistas. 

É a antiga Birmânia.

De Dubai, fomos para Bangkok e voamos para Mandalay pela Airasia. A cia aérea mais barata, mas nem a água é de graça .

Você precisará de visto – US$50,00 (faz e recebe pela internet em poucos dias, mas tem validade. Tire um mês antes e também já tenha reserva de hotel para preencher os dados.) e…não esqueça o certificado de vacina contra febre amarela!!!

Em Myanmar encontramos uma Ásia com menos influências ocidentais. Homens e mulheres usam longyi, roupa tradicional, saia parecida com uma canga. Calça jeans é coisa rara de se ver. Mulheres e crianças também andam nas ruas com o rosto pintado de tanaka, uma pasta branca a base de sândalo, usada para proteger do sol. Conseguem vender para os turistas afirmando ser anti-rugas. Pronto! Compramos.

Os birmaneses são profundamente religiosos. Em todo o país, há muitos, muitos monges, que são extremamente respeitados.

Como cada local tem sua peculiaridade, então vou dividir as informações das cidades visitadas em três posts.

Na primeira cidade, Mandalay, começamos o dia visitando um monastério.

Praticamente todos os homens passam um período num monastério que pode ser uma semana, alguns anos ou a vida toda.

 

O ideal são três anos. Segundo a tradição, quem tem filho homem deve mandá-lo ainda pequeno para o mosteiro. As crianças aprendem as primeiras lições sobre budismo e sobre a vida dos monges. Meninas também podem ir para o monastério, mas é menos frequente.

Lá nos sentimos seguros e em paz.

Os birmaneses comem o dia inteiro (amei!). Em todos os lugares você encontra barraquinhas de comida e um grupo deles sentados fazendo uma boquinha. Devido a característica bem rural, a base da comida leva muito arroz e legumes.

Mas não espere muita conversa com os locais, pois o inglês é sofrível e eles se abriram ao turismo há dez anos aproximadamente. As crianças, principalmente, tem muita curiosidade nos turistas. Adoram tirar fotos com os visitantes.

Hospedamo-nos num hotel que custou US$63,00 para duas pessoas por 2 noites. ( Hotel 8- esse é o nome).

Fechamos um dia de passeio de van por 18U$ e passamos o dia visitando templos.

O passeio termina em Amarapura que é hoje um distrito de Mandalay. Abriga a maior ponte de madeira do mundo, a U Bein Bridge, por onde milhares de birmaneses passam todos os dias. É um lugar especial para assistir ao pôr do sol.

Nos outros dias, visitamos outros locais interessantes tais como o Kuthodaw Pagoda, o maior livro do mundo. Ensinamentos budistas foram entalhados em 729 lajes de mármore de 1,52m de altura e 1 de largura nas duas faces. Cada laje é uma página do livro.

A Colina de Mandalay se destaca no horizonte plano e é dela que a cidade herdou seu nome. De praticamente qualquer lugar, podemos avistá-la coberta de vegetação entremeada por pagodas e mosteiros. Local de peregrinação budista, lá em cima fica a Sutaungpyei Pagoda, um complexo de estupas, templo e altares em mosaicos coloridos e espelhados.

Este é o melhor ponto para apreciar a vista panorâmica 360º da cidade e lota durante o pôr do sol. Preferimos ir bem cedo e quase não tinha ninguém lá.

Trânsito birmanês

Como ex-colônia britânica, o país seguia a mão inglesa nas ruas e os carros eram todos feitos para serem dirigidos assim. Mas, durante a década de 70, o governo resolveu mudar isso. Deu para visualizar a confusão, né?

Para atravessar as ruas eu costumava falar pra turma: segura na mão do Buda e vai!

Tem carros dos dois jeitos e não há ordem nenhuma nas ruas. Andamos de táxi. A quantidade de gente pendurada nos ônibus assustou.

Três dias corridos em Mandalay foram suficientes.

Próxima parada: Bagan. Aguardem o próximo post! 😉

 

 

 

 

 

 

Turistando a pé

Seja aonde for, dentro ou fora do Brasil, uma boa opção para conhecer os locais é caminhando.

Imagem Pixabay

Gosto de chegar a um centro de informações turísticas, pedir um mapa e uma dica de percurso e, no meu ritmo, caminhar pela cidade, olhar sua arquitetura, observar o trânsito, o paisagismo, as vitrines, sentar em uma praça para descansar e observar os locais, tomar um café e contemplar o cenário.

Certas coisas que vejo só são possíveis de serem notadas quando se está andando sem compromisso definido, enfim, sem ter o foco de chegar em algum lugar determinado com hora marcada. De ônibus ou carro também é possível apreciar o passeio, mas tudo passa muito rápido e nem sempre as nuances, as sutilezas e os aromas do local são percebidos.

Mas há uma variação deste tipo de passeio que vem ganhando força nos últimos tempos, onde é possível se aprofundar na história local: os “walking tours”. Então, um dia posso caminhar sem compromisso e devanear pelo local e, em outro, posso escolher um roteiro específico e agregar valor à esta caminhada com informações e curiosidades do local escolhido dentro de um passeio guiado.

Este formato de guiamento é muito utilizado em outros países. E o bacana é que mesmo que você viaje por conta própria, sem uma excursão com guia, você tem a flexibilidade de selecionar apenas os passeios que realmente lhe interessam, com duração e até mesmo idioma específico, inclusive português!

Nuremberg – Foto: Tati Mendonça

Um exemplo disso é a German Routes, da brasileira Tati Mendonça que presta este serviço na Alemanha com passeios a pé por Munique, Nuremberg, entre outras cidades. Como ela diz “fazer um tour a pé te coloca mais em contato com a cultura, com o dia a dia do local que você está

Nuremberg – Foto: Tati Mendonça

visitando… tudo em um ritmo que te permite curtir e viver o passeio, isso é muito importante!”.

 

 

 

 

Aqui no Rio estes são cada vez mais comuns e propiciam um caminhar com olhar mais atento às riquezas das regiões visitadas (sejam elas arquitetônicas, culturais e até mesmo gastronômicas). Acompanhados de um guia local, as horas desta caminhada revelam facetas pouco notadas por aqueles que passam por ali e também trabalham o imaginário quando relembram curiosidades ou fatos da história que ocorreram naquele local.

Atualmente, há diferentes alternativas de “walking tours”, gratuitos ou remunerados – estes muitas vezes sendo pagos conforme as possibilidades ou avaliação de cada participante, tornando este formato bastante acessível e democrático.

Tour Olímpico. Foto: Magali Turismo

Mas não é muito cansativo? Bem, há tours com diferentes durações, com percursos mais simples (plano) ou mais desafiadores. Há tours que misturam públicos de todas as idades, estrangeiros ou não, mas há também roteiros customizados, como o da Magali Turismo que organiza também passeios para pessoas de mais idade, com um ritmo adequado a este público e que pode incluir trechos em transportes públicos (metrô, VLT, táxi), com objetivo de encurtar a caminhada e tornar o passeio viável a um maior número de pessoas, já que sua maior preocupação é “proporcionar o bem estar e uma agradável experiência a todos”.

Tour Parque Olímpico – Foto: Magali Turismo

Mas  estes tour são para estrangeiros? Não, são para TODOS!!! É impressionante como muitas pessoas não conhecem a própria cidade onde vivem e seus pontos turísticos (mesmo os mais famosos)! Estes tours são uma ótima oportunidade de socializar e fazer novas amizades, principalmente para o grupo com mais idade que muitas vezes não tem companhia para sair. Então, que tal deixar o sofá e a sessão da tarde e caminhar com um guia conhecendo um pouco mais a cidade e fazendo novos amigos?

Em sua próxima viagem considere utilizar os serviços de um guia local. Ele pode lhe oferecer um melhor aproveitamento do tempo do passeio, enriquecendo-o com seu conhecimento e, ao contratá-lo você de quebra ajuda a movimentar a economia e o turismo local, incentivando que mais pessoas se interessem pela própria história e patrimônio e com isto busquem preservá-lo e difundí-lo.

Pense nisso e… boa viagem!